O que Aprendi Sobre Comunicação Não Violenta

Comecei a prestar atenção em comunicação não violenta quando assisti ao TEDx “Para início de conversa”, da coach Carolina Nalon.

Ouvindo a palestra dela, lembrei de várias situações em que ficaram evidentes os princípios de Marshall Rosemberg:

  •  “Por trás de todo comportamento existe uma necessidade”
  • “Todo ato violento é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”

Lembrei, também, de todas as vezes em que bloqueei a empatia durante uma conversa. As intenções eram as melhores, mas não conseguia criar espaço. Só dava consolo ou conselho.

De largada, desperdicei minhas sábias palavras. Na verdade eu só precisava ouvir, sem responder nada.

Era o caso de escutar e me esforçar para compreender o que estava por trás do que estava sendo dito. Parece simples, mas é tão difícil! Pensa em alguém que faz terapia há nove anos e acha que aprendeu a analisar os outros. Alguém que se acha capaz de analisar também a situação, mesmo estando de fora dela. Uma pessoa que se arrisca até em propor reflexões…

Não há nada de errado nisso. Só acho que preciso me policiar, caso queira exercitar a comunicação não violenta. Me policiar logo no início da conversa.

E tenho tentado. Outro dia estava aguardando atendimento em uma gráfica quando uma mulher, na faixa dos 50 anos, voltou do balcão do atendimento e se sentou ao meu lado. Furiosa, ela reclamou: “Eu ainda perguntei se precisava mandar e-mail”.

Os primeiros segundos foram de delay. Precisava entender se era comigo e fazer o primeiro contato visual. Se fosse antes, pensaria em uma resposta evasiva, pra não render. “Que coisa, hein?”, eu diria.

Mas não foi isso que eu disse. Apenas olhei atentamente para ela e ouvi o desabafo.

Ela continuou falando, falando, falando e eu calada, só ouvindo. E aí eu pude perceber que havia muita coisa por trás daquela reclamação. Ali estava uma diretora de colégio super atarefada que mal conseguia resolver suas coisas no horário de almoço. Alguém que não quis muito papo quando perguntei em qual escola trabalhava, onde ficava e se ela ainda dava aulas…Alguém sem muito orgulho em contar que era diretora…

Análises à parte, fui embora pensando naquela conversa. Poderia ter sido egoísta e ignorado os reclames dela. Já me bastam os meus, né? Porém, ao ficar ali só ouvindo, criei espaço para compreender o que se passa, para perceber as reais intenções por trás do que foi dito. Acho que isso é empatia!

Agora quer um exemplo inverso?

Outro dia saí de casa apressada para o aeroporto e não deu tempo de lanchar.  “Tudo bem, vou chegar, despachar as bagagens rapidinho e comer alguma coisa”, pensei.

Trinta minutos depois, cheguei, despachei as malas e corri para a cafeteria. Já tinha costume de parar ali, porque gostava do buffet e do cafezinho de cortesia. Mas nesse dia cheguei no horário da troca do buffet.

Sentindo que ia demorar, perguntei para a garçonete: “Oi moça, em quanto tempo vocês vão servir o café?”. Ela respondeu 20 minutos e, pela minha cara, viu que eu estava faminta.

Tentando me confortar, ela olhou para a minha barriga e disparou: “Você está grávida? Porque aí peço para agilizar”.

Eu não estou, mas o vestido marcava a barriga e ela imaginou que eu estivesse. Aqueles foras que alguém sempreeee dá!

Fingindo naturalidade, brinquei: “Se for por isso, posso estar”.

Ela sorriu, eu agradeci e fui embora. Farta dessa conversa. Melhor sair de fininho e tentar fingir que aquele diálogo não aconteceu.

Eu sei que o vestido não estava nada favorável e que alguém podia sim ficar em dúvidas se eu estava ou não grávida. Mas acho que, na dúvida, não precisava perguntar nada, apenas tentar agilizar o buffet. Só as grávidas valem a tentativa? Ser cliente e estar com fome não conta? Mais do que empatia, faltou tato da parte dela.

E uns abdominais de minha parte.

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