Ansiedade generalizada: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento

Hoje acordei cedo e, ainda sem levantar, peguei o celular para visualizar a minha lista de tarefas. Pulei da cama correndo, já tomada pela ansiedade de zerar o check-list e depois descansar.

Assim como eu, você também deve estar vivendo em ritmo acelerado. Tanta coisa para resolver, decidir, planejar, mudar, aprender, compartilhar…Ufa! Nunca corremos tanto! Mas, também, o mundo nunca esteve tão cheio de novas possibilidades e caminhos…

Crescem então nossas expectativas, cobranças, frustrações e ansiedade.

Aí mora o perigo.

Estamos ansiosos demais e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já nos alertou para isso.

Em um relatório divulgado em fevereiro de 2017, a Organização Mundial da Saúde apontou que o Brasil é o país com maior taxa de transtorno de ansiedade no mundo.

Para se ter uma ideia, 9,3% da população brasileira apresentou algum tipo de transtorno de ansiedade em 2015, um percentual três vezes maior do que a média mundial, que foi de 3,6%.

Neste cenário preocupante, uma coisa é certa: você provavelmente engrossa a lista de ansiosos e já se questionou se a sua ansiedade é normal.

Ansiedade normal ou patológica?

A ansiedade é uma emoção comum em situações que geram medo, dúvida ou expectativa. Do ponto de vista biológico, sua função é adaptativa, ou seja, ela é importante para nos preparar para momentos difíceis ou desafiadores.

A prova de vestibular, a cerimônia de casamento, a entrevista de emprego, a cirurgia delicada, o nascimento do filho; tudo isso nos deixa mais ansiosos.

Para algumas pessoas, porém, a ansiedade persiste por um longo período e toma conta da vida delas. 

O problema mais comum é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), que atinge aproximadamente 12% da população brasileira, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

O que é o transtorno de ansiedade generalizada?

É um distúrbio caracterizado pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva.

Essa descrição está na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). O documento, publicado pela Associação Americana de Psiquiatria, é referência no mundo todo.

Quais os sintomas?  

Quem enfrenta o problema, vive preocupado e ansioso na maior parte dos dias. Até mesmo questões menores que aparentemente não indicam nenhum tipo de perigo ou ameaça geram ansiedade e preocupação excessivas.

Resultado: sofrimento e prejuízos à vida social, afetiva e profissional da pessoa.

De forma geral, os sintomas mais comuns são:

  • fadiga
  • irritabilidade
  • dificuldade de concentração
  • inquietação ou sensação de “nervos à flor da pele”
  • perturbação do sono

Sintomas físicos também podem aparecer, como:

  • tensão muscular
  • taquicardia
  • falta de ar
  • palpitações
  • dor de cabeça
  • sudorese excessiva
  • aumento da pressão arterial
  • alteração nos hábitos intestinais
  • náuseas e diarreias
  • dores musculares
  • aperto no peito.

O diagnóstico

Esse é um dos transtornos mais subdiagnosticados, porque os pacientes raramente procuram um profissional de saúde mental quando os sintomas aparecem.

Geralmente eles consultam com um clínico geral e se queixam de sintomas físicos vagos, que também são comuns à depressão e a outros transtornos de ansiedade, como fobia social e síndrome do pânico.

Daí a importância de o médico realizar o diagnóstico diferencial, levando em conta alguns critérios. Um deles é que três ou mais sintomas citados acima devem estar presentes na maioria dos dias, nos últimos seis meses, em diversos eventos e atividades.

Há que se avaliar, também, se esses sinais causam sofrimento clinicamente significante ou incapacidade em atividades sociais, ocupacionais ou outras.

Para fechar o diagnóstico, é importante ainda a realização de exames físico e neurológico, além da investigação do histórico do paciente.

O tratamento

Estudos clínicos já apontaram que a terapia cognitiva comportamental é a técnica mais segura e eficaz para tratar esse tipo de transtorno.

A eficácia, porém, depende de algumas predisposições do paciente, como disponibilidade de tempo e de recursos, alto grau de motivação e capacidade de auto-observação. 

Isso porque o processo de psicoterapia é mais demorado, ou seja, os sintomas não vão desaparecer de uma hora para outra.

Dependendo da gravidade do caso ou se há sintomas de depressão, o tratamento pode ser associado ao uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos.

Mas, antes de tomar qualquer remédio, o paciente deve perguntar ao médico tudo sobre a medicação, inclusive os possíveis efeitos colaterais.

É importante, também, não parar de tomar a medicação antes da hora. O problema pode até piorar.

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