Comparação: quando a grama do vizinho é sempre mais verde…

Esta semana postei um vídeo na página do Seja Leve no Facebook. Foi gravado pelo Daniel Duarte, do projeto Siga os Balões, que eu adoro.  

Pensei: ah, nunca vi a cara do Daniel, deixa eu ver o que ele está falando! 

Fui assistir e me identifiquei. 

No vídeo ele conta que encontrou uma amiga na rua e ela comentou que estava feliz em vê-lo bem, com a vida plena, a carreira deslanchando. 

Mas, na realidade, as coisas não iam tão bem assim.

Daniel estava com dengue e transtorno de ansiedade.

Também estava se questionando por que tudo dava certo para os outros, menos para ele, que planejou tão certinho o 2017. 

Porém, quem estava “de fora” não tinha essa imagem. 

Pensava que tudo estava fluindo lindamente na vida dele. A carreira, então, indo de vento em polpa! E os milhares de seguidores no Facebook!? 

Daí para a comparação, é um passo!   

Nós temos a tendência inata de nos comparar

Frequentemente me pego falando: 

“Veja a fulana, formou comigo na faculdade e hoje é GERENTE de comunicação numa BIG empresa!”.

“Veja o beltrano, tem a minha idade e é CEO de uma startup”.

“E o fulaninho que tem 30 anos e já conquistou seu primeiro MILHÃO?”.

Na maioria das vezes, essas histórias me inspiram e me motivam a correr atrás dos meus objetivos.

Outras vezes, porém, esses “cases de sucesso” me fazem cair na armadinha da comparação social.

Vejo esses exemplos e sinto que estou ficando para trás, que as coisas estão caminhando devagar demais, que ainda estou longe de chegar a algum lugar. 

Eu nem encontrei ainda o tal do propósito (existe mesmo?). Também não abri o meu próprio negócio, nem tive nenhuma ideia brilhante. 

Ah, também não estou mudando o mundo com o meu trabalho. 

Mas isso não quer dizer que eu esteja ficando para trás. Não mesmo.  

Quer dizer apenas que eu estou me comparando com alguém que eu nem sei se está feliz com o que tem, com o que conquistou, com o que é. 

Alguém que inclusive pode me olhar e achar que minha vida sim é bem resolvida!

Ou seja, eu não sei o que se passa com o outro e vice-versa.

Ainda que eu faça alguma ideia, é difícil saber exatamente o que se passa com a outra pessoa.

Só tem como saber se ela se mostra vulnerável e divide suas emoções e fragilidades. 

Caso contrário, a base de comparação é a conversa superficial no Whatsapp, a vida “perfeita” do Instagram, o clima alto astral dos encontros presenciais e por aí vai…

Comparações são muitas vezes injustas 

Cá entre nós, você já achou sua vida entediante quando olhou o Instagram de alguma blogueira famosa? Aquela que viaja todo mês a convite de uma marca?

Eu já e aposto que você também! 

Mas esse sentimento não durou muito por aqui, porque parei de seguir a blogueira. 

Parei para não alimentar nenhuma comparação injusta.

Como comparar minha vida com alguém que vive uma realidade completamente diferente da minha? 

É outro trabalho, outro mercado (moda e beleza), outra trajetória, outra história de vida, outras condições, outras oportunidades…

Sem contar que aquelas fotos mostram apenas a parte glamourosa da profissão.

Não mostram os perrengues, as batalhas, os desafios, as renúncias, os sacrifícios…

É claro que isso existe, mas não aparece no meu feed do Instagram. 

“Não compare os seus bastidores com o palco dos outros” 

O que mostramos nas redes sociais é a nossa melhor versão e os melhores momentos da nossa vida. 

Não vou generalizar, mas de forma geral não é isso que a gente vê?

Pelo menos é isso que eu posto e vejo no meu perfil.

Acabei de acessá-lo agora, às 18h07, véspera do feriado de 15 de novembro. No meu feed tem: 

  • gente curtindo praia (com direito à hashtag #sereiando);
  • curtindo piscina; 
  • tomando cerveja importada;
  • fazendo selfie num ponto turístico do Japão;
  • mostrando a nova tatuagem;
  • se declarando para o pet;
  • colhendo alface do pé…. 

Ou seja, está todo mundo bem, feliz da vida, numa boa!

Pra falar a verdade, não esperava nada diferente disso. É o padrão Instagram, né? Não sei se outra coisa teria “aceitação” ou se eu postaria história triste.  

Vocês viram quando o Marcelo Tas resolveu compartilhar a foto do velório da tia dele?

Nesta entrevista aqui ele conta a repercussão da imagem, que mostrava um momento triste, mas de forma abstrata. Não aparecia a vó dele no caixão. 

Ainda assim, choveram críticas! E aí eu concordo quando ele diz que não há lugar para a tristeza no Instagram.

Ali só compartilhamos o que está acontecendo de mais legal na nossa vida. O resto fica nos bastidores mesmo.  

É por essas e outras que eu vivo em constante conflito com as redes sociais e, vira e mexe, me dá vontade de fazer um detox virtual, pelo menos por uns dias…

Frustração x comparação

Quando você se compara com alguém que admira, pode ser que se sinta mais motivado a seguir em frente. 

Por exemplo, aquele empreendedor de sucesso que ficou milionário antes dos 30 anos pode ser uma baita inspiração para você. 

O problema é quando você se compara com ele e fica se achando uma bosta.

Acha que sua carreira não deu certo e que só será feliz quando chegar lá, onde esse cara chegou.

Fica com a sensação de que todo mundo está muito melhor do que você na vida.

Foca só no que deu errado até agora e subestima suas conquistas. 

Acha que as coisas caem do céu para todo mundo, menos para você, que trabalha duro e não tem recompensa.

Sente inveja, raiva, angústia, ansiedade, insegurança, complexo de inferioridade etc…

Aí, é claro, nada melhora! A vida realmente não prospera. A sua grama fica mesmo sem cor. Já a do vizinho…

Melhor evitar ao máximo a comparação 

Crédito: Um cartão

Quem nunca se comparou com o outro, né? O problema é quando a comparação vira hábito.

Se você se compara com os outros o tempo todo, entra em um círculo vicioso.

Sempre vai ter alguém mais magro, bonito, inteligente, rico, bem-sucedido, engraçado e interessante…

E aí o que acontece? Você nunca se acha bom o suficiente. Nosso ego é insaciável, não fica satisfeito nunca!

O negócio é ter consciência disso e tentar resistir ao impulso de se comparar aos outros.

É tentar ser menos duro e exigente consigo mesmo e não se cobrar tanto. É valorizar o que já tem – qualidades e conquistas. 

É olhar para dentro e ver como se sente. E se o sentimento não for bom, dar o primeiro passo para mudar.

(É desafiador, eu também acho, mas a vida real é difícil assim mesmo! Sabemos! rs)

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