Entrevista com Adriana Rizzo, voluntária do CVV – Centro de Valorização da Vida

Adriana Rizzo, voluntária do CVV há 19 anos

Leitor (a), me diz uma coisa…Você sabe como participar do Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio que acontece todos os anos no Brasil? E você já conhece o Centro de Valorização da Vida (CVV), um dos principais mobilizadores da iniciativa?

Se ainda não, terá a oportunidade de conhecer agora! Nessa entrevista para o blog Seja Leve, a Adriana Rizzo, voluntária do CVV há 19 anos, explica que tipo de apoio gratuito a instituição oferece, quem normalmente procura ajuda e como os voluntários atuam.

Ela fala também sobre o aumento da adesão ao Setembro Amarelo e explica como você pode participar da iniciativa, que vem ganhando cada vez mais força, inclusive nas redes sociais.

No Twitter, por exemplo, os destaques são as mensagens com a hashtag #SetembroAmarelo. Tem muita gente se mobilizando e você também pode entrar nessa! Leia a entrevista, informe-se sobre o assunto e compartilhe as informações! 

Como o CVV contribui para a prevenção ao suicídio no Brasil? 

O CVV está disponível 24 horas por dia, incluindo feriados e finais de semana, gratuitamente, para conversar com todas as pessoas que pedem ajuda.

Nossa técnica de conversa auxilia a pessoa a desabafar, aliviar suas pressões internas, diminuir a sensação de solidão. Isso reduz o risco da pessoa buscar no suicídio a solução para suas dores. Mas, é claro, há situações em que a pessoa precisa de um acompanhamento médico e/ou psicológico que não é oferecido pelo CVV.

Esse apoio emocional é apenas para quem está pensando em suicídio? Às vezes a pessoa pensa: “estou sofrendo, mas não é pra tanto, então não vou ligar para o CVV!”. 

A maioria das pessoas que nos procuram não expressam desejo de morrer. São pessoas sentindo-se solitárias,  tristes ou angustiadas, com dificuldade para conversar sobre determinados assuntos com pessoas de seus círculos familiares e de amizade.

Ouvimos as mais variadas histórias e isso dá muita riqueza ao trabalho. Há casos, por exemplo, em que a pessoa nos liga para dividir uma conquista, um momento feliz, pois tem dificuldades em dividir essa alegria com pessoas conhecidas. Não é interessante?

Atualmente, qual a faixa etária mais atendida pelo CVV? E qual canal de atendimento esse público mais utiliza? 

É muito difícil afirmar qual a faixa etária que mais procura o CVV, pois, para garantir total sigilo e o conforto para que a pessoa se abra com o voluntário, não pedimos nenhum dado pessoal no atendimento.

Porém, no atendimento oferecido pelo CVV via chat e email, sabemos que há um enorme público adolescente e jovem, pois eles expressam isso. Acredito que esse fato se dá inclusive, mas não somente, por ser um canal bastante comum para os jovens.

Quem são os voluntários do CVV? 

Os voluntários do CVV são pessoas comuns, sem necessidade de formação específica, maiores de 18 anos de idade, com algumas horas semanais disponíveis para os plantões e vontade de ouvir pessoas desconhecidas sem julgamentos, críticas ou aconselhamentos.

Todos passam por um processo de seleção e preparação para o voluntariado. Por não sermos psicólogos ou psiquiatras, nosso serviço não substitui esses tratamentos. Oferecemos apoio emocional.

Como os voluntários são preparados para prestar esse tipo de apoio emocional? 

Os treinamentos, que são, simultaneamente, a seleção de novos voluntários, são realizados, na maioria das vezes, em um dos 90 postos de atendimento do CVV em todo o país.

É composto por reuniões semanais com uma pequena carga horária teórica e muitas simulações bastante práticas. O candidato vive na pele possíveis situações que pode atender para aprender e avaliar seu preparo e afinidade com o trabalho. 

Apesar da carga emocional intensa, muitos voluntários trabalham há anos no CVV. De que forma essa experiência agrega? 

A carga emocional é intensa? Podemos dizer que sim, mas em um bom sentido. Temos técnicas que nos permitem compreender a pessoa que nos procura, acolhe-la, respeitá-la, mas não deixar que seus dramas nos contaminem.

E a experiência é tão gratificante e construtiva que, de fato, há muitos voluntários com décadas de CVV. Eu mesma tenho 19 anos como voluntária. Esse trabalho muda a forma como nos vemos, vemos as pessoas ao nosso redor e o mundo, tornando algumas situações mais leves para se levar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados. Por qual atitude passa esse trabalho de prevenção? 

Esses 90% são relativos a pessoas com transtornos mentais ou emocionais, como depressão, ansiedade, esquizofrenia ou dependência química, ou seja, poderiam ter um acompanhamento médico e psicológico que prevenisse a busca pelo suicídio.

Porém, enquanto o suicídio for um tabu, assunto evitado nas escolas, rodas de amigos e mesa de jantar das casas, continuaremos com dificuldade de diagnósticos e oferta de ajuda. Muitas pessoas com ideias suicidas não sabem que podem procurar ajuda ou têm vergonha disso, o que agrava o problema.

A campanha Setembro Amarelo vem ganhando maior adesão a cada ano? 

Sem dúvida. Ano a ano vemos um maior impacto do Setembro Amarelo em todo o Brasil. Muito disso é pela insistência em se falar no assunto, não somente do CVV, mas também de outras instituições.

Também nesses últimos anos, em especial 2017 e 2018, alguns fatores trouxeram mais holofotes à questão “prevenção do suicídio”, como a implantação do 188 com abrangência de 100% do território nacional e a série 13 Reasons Why.

Qualquer pessoa pode participar do Setembro Amarelo, mesmo que não tenha ligação com o CVV e demais apoiadores da campanha?  

Com certeza. O Setembro Amarelo não é propriedade de ninguém e quanto mais gente divulgando, falando abertamente sobre suicídio, melhor para todos.

Quem tiver interesse em participar, pode utilizar os materiais disponíveis nos sites cvv.org.br e setembroamarelo.org.br sem precisar de autorização prévia.  Pode, também, promover caminhadas, juntar a turma e sair com camisetas amarelas, iluminar de amarelo locais públicos ou privados, promover palestras e por onde a imaginação levar.

[kkstarratings]

2 Comentários


  1. Não tinha consciência da dimensão do CVV… Obrigada por trazer pra gente um assunto tão importante. Vou compartilhar a entrevista e procurar outras maneiras de contribuir! Obrigada e parabéns, Cela!!

    Responder

    1. Ô Malauzinha, compartilha mesmo! Obrigada pelo carinho e comentário!

      Responder

Deixe o seu comentário