Menos é mais: entrevista com Juliana Goes sobre minimalismo

Tudo indo bem, tudo dando certo na vida da Juliana. Ainda assim, alguma coisa não estava se encaixando. Batia aquela sensação de vazio, aquele cansaço sem explicação… 

Foi quando ela decidiu olhar mais para dentro, a buscar mais autoconhecimento. Era hora de questionar as suas escolhas e entender que muitas delas eram baseadas no modo automático e em padrões externos.

Começava ali um processo de desconstrução que, aos poucos, gerou mudanças de ideias, hábitos e comportamentos. A máxima de que “menos é mais” foi ganhando cada vez mais sentido. O desejo de reduzir excessos no dia a dia foi ficando latente. A necessidade de simplificar a rotina também. Daí vieram os desapegos, os bazares beneficientes e uma série de planos e ajustes inspirados no minimalismo e essencialismo

Bom, vou deixar ela mesma continuar contando essa história! QUEM, QUEM, QUEM? Juliana Goes, life coach, co fundadora do aplicativo Zen e youtuber com mais de 1 milhão de inscritosÉ também uma das minhas referências no meio digital e alguém que eu queria muito entrevistar para o blog.

Imagina então como eu fiquei quando recebi o sinal verde para a entrevista?! EU-FÓ-RI-CA, ainda por entrevistá-la sobre o minimalismo, um tema cada vez mais em evidência e que vem me despertando o interesse. Bora ver o que ela tem a compartilhar sobre o assunto? Tô doida para te mostrar! 

1) Juliana, nos seus vídeos sobre o minimalismo, você conta que se deparou com a fadiga da decisão. Como foi isso? 

Eu percebi que, no meu dia a dia, ficava constantemente irritada e cansada. Não tinha tempo para mim, porque precisava fazer muitas escolhas o tempo todo. Os processos, os rituais diários eram muito longos, complicados. A hora de me arrumar, de me vestir, de organizar a casa…

Percebi que era muita coisa à minha volta, não necessariamente porque sou uma pessoa consumista (não sou), mas por conta do meu trabalho.

Pelo fato de ser blogueira, naturalmente tenho acesso a muitas roupas, cosméticos, acessórios etc. Sou muito grata por todos os presentes e press-kits que recebo, não é questão de “chega, não quero mais”. Não é isso.

O que pensei foi em aproveitar o meu acesso a todas essas coisas para beneficiar alguém, para passar adiante aquilo que é muito legal, mas que não estou precisando no momento.  

2) A cultura dinamarquesa te inspirou nesse processo de desapego? (Nota: o Crica, marido da Juliana, morou na Dinamarca dos 4 aos 23 anos. A família dele ainda mora lá). 

Sim! Todas as vezes que eu ia para a Dinamarca reparava que as casas eram mais cleans, passavam mais leveza. A nossa família tinha armários com muito mais personalidade e menos quantidade de coisas. As pessoas mantinham apenas o que realmente gostavam. 

O Crica, meu marido, também me inspirou e me inspira muito nesse processo. Como ele cresceu em contato com a cultura dinamarquesa, é muito mais objetivo na hora de consumir e fazer escolhas. Faz tudo com mais intenção, não tem aquela impulsividade, sabe?    

3) E como começaram os desapegos? Me conta…  

Começaram em casa, com as minhas roupas, cosméticos, acessórios etc. Fui identificando aquilo que, de fato, era útil, necessário e funcional para mim.

O que não era eu passei adiante nos meus bazares beneficientes. Transformei aquele acúmulo, aquela energia parada, em algo útil para alguém. Além do mais, consegui ajudar quem realmente precisa, já que 100% da verba arrecadada nos bazares foi doada para instituições sociais. 

Aí sim pude preencher aquela sensação de acúmulo, aquele sentimento de cansaço por ter que lidar com tanta coisa no meu dia a dia. É muito bacana ver como consegui “virar a chave” aos poucos. 

As mudanças vão além do lado material e envolvem quem eu sou, o que eu faço, com quem me relaciono e o que eu sinto. E esse processo de transformação continua!

4) Quais foram as maiores mudanças desde então?

A mudança de apê foi uma delas. Foi a primeira, inclusive. Eu e o Crica, meu marido, decidimos nos mudar para um apartamento menor e, por questão de espaço, tivemos que nos desfazer de 70% de tudo o que a gente tinha.

Isso exigiu toda uma reflexão, uma mudança de estilo de vida mesmo. Passei a enxergar como eu realmente gostava de me vestir, o que eu mais prezava no meu dia a dia e o que era multifuncional e valia a pena manter. 

Outra mudança foi colocar mais intenção em tudo na minha vida. Eu sempre me pergunto: “Por que eu tenho isso?” “É mesmo necessário?” “Por quanto tempo isso será útil para mim?”.

Eu faço essa reflexão para tudo, não só para coisas materiais. Se estou pensando em viajar, por exemplo, avalio o que essa viagem vai acrescentar para mim. Estou indo para fazer algum um curso? Estou indo porque realmente quero? 

Uma terceira mudança foi trabalhar a aceitação, o autoamor e a empatia comigo mesma. Ao fazer isso eu percebi que não preciso de tantos recursos externos para me sentir feliz. O que preciso mesmo é me apoiar mais, me acolher mais, me aceitar mais. 

5) O que essas mudanças trouxeram para a sua vida

Trouxeram muito mais significado, propósito e autoconhecimento. Hoje eu me conheço de verdade e sou mais coerente comigo mesma. 

Também tenho mais tempo livre para mim, para a minha familia, para quem eu amo. A sensação é de que estou vivendo plenamente, sem perder tempo e sem me perder em meio a tomada de decisões desnecessárias e coisas que não fazem sentido. A minha vida ficou muuuito mais leve! 

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2 Comentários


  1. De passinho em passinho vamos alcançando coisas jamais imaginadas ne? Parabens pelo blog! Inspirador!

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    1. Isso aí, aos poucos a gente vai evoluindo – e o processo é contínuo! Fico feliz que tenha gostado do blog. Obrigada pelo comentário 🙂

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