Eu aos 31 anos: expectativa x realidade

Leitores queridos, amanhã completo 31 anos. Meu aniversário cai no feriado municipal de Belo Horizonte e também no Dia do Solteiro (sim, existe essa data!). Não por acaso, mas por total planejamento da minha mãe, também nasci no mesmo dia do Guilherme, meu irmão do meio. 

Pois então. Véspera de aniversário e de feriado e eu aqui em casa trabalhando em modo standy by. Havaianas no pé, vestidinho relax e música no fone de ouvido.

Música não, uma verdadeira “mistureba” musical rolando por aqui, de Arnaldo Antunes a Timbalada (aham). Confesso que já chorei em algumas músicas, porque fico emotiva em véspera de aniversário. Só eu?

Mas calma, não vem post triste pela frente. A minha ideia é dividir com vocês algumas expectativas que eu tinha em relação à minha vida depois dos 30 anos.

Falar sobre isso será engraçado, eu acho. Eu idealizava tanto as coisas no início da vida adulta… Só consigo olhar para trás e dizer para mim mesma: SABE DE NADA INOCENTE! Hahaha…ai ai, será que meus leitores “trintões” têm a mesma sensação? Saberemos agora nos próximos tópicos!  

1 –  Marcela, 31 anos, executiva em uma multinacional

Aos 20 e poucos anos, eu trabalhava em uma grande empresa, onde entrei como estagiária e depois fui contratada. Trabalhar ali dentro por três anos despertou em mim um enorme desejo: ser executiva em uma multinacional.

Não tinha nenhuma empresa específica em mente, só sabia que queria trabalhar na área de Comunicação Corporativa, liderando projetos e pessoas (óh Senhor, quem sou eu!!!). Com 31 anos eu estaria no auge da minha carreira. Tudo caminhando de acordo com a minha definição de sucesso na época: “ser executiva em uma multinacional”.

Eu só não imaginava que “as definições de sucesso seriam atualizadas”. Hahaha…Mal podia imaginar que, aos 31 anos, estaria trabalhando por conta própria, em outra área, e sem a expectativa de liderar qualquer coisa.

E posso falar? Ainda não tenho certeza se continuarei nesse caminho. Não sei se daqui um tempo ainda vou estar trabalhando em casa como autônoma. Pode ser que eu volte para o “mundo corporativo”, pode ser que não. Pode ser que preste concurso público, pode ser que não. 

Eu não ando planejando a minha vida profissional como antes. Ando é me abastecendo de coragem para experimentar o novo, sem aquela pressa toda de chegar a algum lugar e sem aquele medo todo do desconhecido. 

2 – Marcela, 31 anos, decidida sobre a maternidade

Aos 20 e poucos anos, não me lembro de pensar que chegaria aos 31 casada e com filhos. Essa vontade nunca bateu forte em mim, sabia? Quando projetava o futuro, vinha sempre a mesma cena na minha cabeça: a executiva toda arrumada adentrando a sala de embarque do aeroporto para mais uma viagem a trabalho.

Para mim, essa louca vida de executiva seria incompatível com a maternidade, inclusive. Um bebê? Imagine, vai me limitar! Esse era o meu pensamento na época (tremenda bobagem), então naturalmente eu não planejava a maternidade nem para o presente, nem para o futuro.

Porém, achava que chegaria aos 30 anos pelo menos decidida em relação ao assunto. Nessa idade eu não teria mais dúvidas quando alguém me perguntasse se vou ou não ter filhos. A essa altura, eu saberia dizer sim ou não. Saberia dizer quando também, no caso do sim. 

Mera ilusão, né gente? Estou prestes a completar 31 e ainda não me decidi. Decisão em aberto! Aliás, longe de ser tomada! Hoje eu afirmo com certeza que não quero ter filhos, mas vai saber daqui há alguns anos. Vai saber!! Mas hoje? Hoje ainda me sinto crua da silva para enfrentar esse desafio imenso que é ser mãe.

E por falar em maternidade, lembrei de um texto que viralizou no Facebook há alguns anos. É o desabafo de uma jornalista que estava cansada de lidar com a mesma pergunta de sempre: “e aí, não vai ter filhos, não?”. Gostei da resposta dela. Clique aqui para ler. 

3 – Marcela, 31 anos, moradora de um lar, doce lar    

Um dos meus maiores desejos, desde o início da vida adulta, era ter o meu apartamento. Não digo MEU no sentido de comprar a casa própria. Poderia ser aluguel, contando que fosse a minha cara. Um lugar simples, mas charmoso. Pequeno, mas aconchegante. Arejado, novinho, com um sofá enorme para eu me esparrar.

Hoje eu moro em um apartamento alugado que é bem desse jeito. Mas antes de me mudar eu morava sozinha no apartamento do meu pai. Passei anos e anos da minha vida morando lá, mas sempre com a impressão de que estava ali de passagem. Não era o meu lugar. Móveis, eletrodomésticos, utensílios; tudo era do meu pai.

Ao longo dos anos, até comprei algumas coisas e dei uma carinha nova para a decoração, mas não fiz nenhuma grande mudança. Até pensava nisso, mas logo desistia, porque meu plano nunca foi continuar morando lá. Pra que investir então? 

Nada contra o apartamento, pelo contrário, fui muito feliz morando lá. Sem contar que eu não pagava aluguel, porque era do meu pai. Eu pagava as contas, é claro, mas aluguel? Passei dez anos sem saber o que que é isso! Hoje, aos 31, eu sei bem o significado dessa palavra. Meu bolso, coitado, sente o peso dela.

Apesar disso, vale a pena pagar o bendito todo santo mês, mesmo ouvindo que “pagar aluguel é jogar dinheiro fora”. Nem ligo, porque um dos meus grandes desejos viraram realidade. Se não bastasse ter um lar, doce lar, ainda tenho o Bruno, meu namorado, morando comigo. YESSSS!  

4 – Marcela, 31 anos, dona de uma vida financeira próspera

Na minha cabeça, eu já teria estabilidade financeira na faixa dos 30 anos. Seria tão estável que pouparia bem mais do que 30% da minha renda. Eu inclusive investiria em ações, se você quer saber.

O pensamento era: se eu, com 25 anos, já poupei R$ 20 mil para uma viagem internacional, imagine com 30!!!!!!”. Eita, com 30 eu pouparia para a aposentadoria, para a viagem, para a casa própria, enfim, para tudo isso e mais um pouco.

Ainda que a minha profissão não seja bem remunerada, dinheiro não seria problema para mim, afinal de contas, eu seria executiva em uma grande multinacional!!! Daria sim para acumular um patrimônio financeiro de…uns seis dígitos?

Ai Deus, isso tudo é muito engraçado, né? Nem eu, nem boa parte dos meus amigos somos estáveis financeiramente hoje. Muitos estão caminhando para isso, mas ninguém parece plenamente satisfeito quando o assunto é dinheiro. Todo mundo passando um perrengue aqui e ali. 

Muitos saindo da casa dos pais agora e assumindo aluguel, condomínio e outras obrigações financeiras. Outros mudando de área ou de profissão, meio que recomeçando. Alguns abrindo o próprio negócio e lidando com a falta de retorno financeiro a curto prazo. O cenário é esse, bem diferente do que imaginei lá atrás.

É claro que tem muita gente da minha idade prosperando financeiramente, com a vida “bem-resolvida” nesse sentido. Na internet não faltam histórias de empreendedores que ficaram milionários antes dos 30. Muitos cases de sucesso para nos inspirar, sem dúvidas. Mas acho perigosa essa busca pelo primeiro milhão. 

Tudo bem estabelecer metas, mas essa de ficar milionário ANTES dos 30 anos é um tanto ousada, não? É para poucos, eu penso. No meu convívio não tem ninguém ryco nessa idade não. Pelo que eu saiba, não! hahaha…

Está todo mundo no mesmo barco – essa é a sensação que eu tenho. Todo mundo na batalha pela estabilidade financeira. E tudo bem se ninguém chegou aos 30 estável financeiramente. Tudo bem se aos 31 também não. Há tanta vida pela frente! Tanta!!!


Gente, escrevendo esse post eu tive ainda mais certeza de que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas. Soa clichê, eu sei, mas é verdade. Nem sempre (ou quase nunca?) as coisas acontecem como planejamos ou queremos.

Às vezes temos um plano hoje, outro completamente diferente amanhã. As coisas mudam, mudam e mudam. Não adianta planejar tanto, nem criar tantas expectativas em relação ao futuro. A vida nos surpreende o tempo todo – E QUE BOM!

E você, o que pensa sobre tudo isso? Deixa o seu comentário aqui embaixo!

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11 Comentários


  1. Cela, amei o texto! Me vi em váaarias partes! O que me deixa feliz (e aliviada) é perceber que a realidade não é fiel aos planos de anos atrás, mas está longe de ser frustrante… Sinal de que viemos nos conhecendo, nos adaptando, fazendo manobras que nos levam aos nossos reais desejos e interesses!! Que venham mais mudanças pela frente…..

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    1. É verdade, Malau. Outra realidade, mas nem por isso frustrante. Tenho o mesmo sentimento e tentei passá-lo um pouco no texto.
      Que venham mais manobras corajosas e mais mudanças 🙂
      Bjs e muito obrigada pelo comentário. Desculpe a demora para responder.

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  2. Amei esse post! Me identifico com boa parte do que você falou. E ainda acho que o fato de nossos planos terem mudado tanto até hoje, significa que estamos muito mais próximos de nós mesmos, da nossa essência, do que realmente queremos… e mais longe da convenção social, das regras que achamos que precisamos seguir para sermos aceitos pela sociedade, pelos pais… E isso é mesmo MUITO BOM! Libertador, maravilhoso. Sim, as contas precisam ser pagas… mas nossa saúde e bem estar precisam ser prioridade, ou pelo menos ter mais importância!
    Beijos, e parabéns pelos 31 anos! Fica tranquila que tudo vai se ajeitando do jeitinho que tiver que ser =)

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  3. Amei! Eu penso que temos que ser feliz hoje, pois não importa o quão bem estivermos, o desejo de querer algo mais sempre estará por perto! Então, para que sofrer?

    Uma boa trilha para o texto e para os meus 30 seria: “eu prefiro seeeer, essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”! Ainda bem!

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    1. Tudo a ver, tenho certeza que vc se identificou com o primeiro tópico, principalmente!
      Eu fiz o post ouvindo aquela música: tenho sonhos adolescentes, mas as costas doemmm…sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem!!! (Sandy Leah, mais velha que a gente!)

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  4. Primeiramente: Feliz aniversário! Tudo de bom, de ótimo e de excelente, e que viva sempre bons momentos!

    Gostei de ler seu texto, suas expectativas e realidade. A gente imagina tantas coisas, que no fim acabam em outras. Eu estou com 32, e achava que também estaria no auge da carreira mas… logo que peguei meu diploma, a empresa demitiu em massa dois dias depois, de um lugar que eu estava a 17 anos… Hoje eu estou praticamente reiniciando a carreira, o que atrasou muitos sonhos, mas que eu ainda os irei realizar, assim como você também! Aproveite seu dia!

    Adriano – http://www.amtonline.com.br

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    1. Adriano, temos muitaaaaa vida pela frente! SUCESSO pra você e muito obrigada pelo comentário e desejos de feliz aniversário.
      Abraço!

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  5. Parabéns querida pelo níver e pela bela postagem. Realmente a vida é uma “caixa de surpresa “, pois podemos sim planejar, e muito, mas saber que em cada piscar de olhos temos surpresas que nos desviam do planejamento em si, deixando sentimentos de frustração. Por isso concordo que tudo vem a acontecer como deve ser . Bola pra frente e viver sim de forma a continuar na busca da felicidade sempre com muita garra. Grande abraço

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    1. É bem assim mesmo…num piscar de olhos as coisas mudam e as nossas expectativas não são atendidas. E a frustração é inevitável, faz parte da nossa vida. Mas, a partir dela, pode surgir um novo entendimento e um novo olhar sobre a nossa realidade. Um olhar nada mal…
      Obrigada pelo comentário e pelos desejos de feliz aniversário. Abração, Mara!

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