Saúde mental no trabalho: o que as empresas estão fazendo?

Nesta semana a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que, a partir de 2022, a síndrome de burnout será incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID 11).

O documento é a principal referência para profissionais de saúde identificarem tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo.

E o que essa inclusão significa na prática? Significa que a síndrome de burnout agora terá uma definição mais detalhada na CID 11, passando de uma condição de saúde para um fenômeno ocupacional, ou seja, com causas diretamente ligadas ao trabalho.

Essa mudança de conceito ajudará os médicos a terem informações mais específicas sobre o problema e a chegarem a um diagnóstico mais preciso. Isso pode ajudar, inclusive, na diferenciação do burnout e doenças como ansiedade e depressão. Sem contar que a notícia deu maior visibilidade à síndrome e jogou luz sobre a questão da saúde mental no trabalho.   

O que é a síndrome de burnout?

De acordo com a OMS, o burnout é uma síndrome que resulta do estresse crônico no trabalho que não foi bem administrado.

Ela é caracterizada por três elementos: sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados ao trabalho e à eficácia profissional reduzida.

Os principais sintomas são: 

  • esgotamento emocional intenso 
  • postura negativa em relação ao trabalho 
  • constante desânimo
  • baixo rendimento
  • irritabilidade
  • isolamento 
  • dificuldade de concentração
  • ansiedade
  • mudanças repentinas de humor 
  • choro fácil 

Sintomas físicos também podem estar associados à síndrome de burnout, como dores de cabeça, dores de barriga, dores musculares e problemas gastrointestinais. 

É importante dizer…

A síndrome de burnout não é algo que se manifesta depois de um ou dois dias de trabalho estressante. É um esgotamento que se arrasta ao longo de anos de desgaste e sobrecarga na vida profissional.

Profissionais que lidam diariamente com pessoas e sofrem pressão constante são mais propensos ao problema. Professores, médicos, enfermeiros, jornalistas e policiais estão entre eles.  

Para aprofundar no assunto e saber, por exemplo, como tratar e prevenir o problema, recomendo que ouça essa entrevista da Rádio USP. Duração: 16 minutos 

Para quem prefere vídeos, indico essa matéria recente da Record TV. Uma das dicas da reportagem é anotar as preocupações no papel para conseguir se desligar depois do expediente. Para mim funciona demais! Já tentou? 

Saúde mental no trabalho: o que as empresas estão fazendo? 

No Brasil, os transtornos mentais e comportamentais – relacionados ou não à vida profissional – foram a terceira causa de afastamento do trabalho entre 2012 e 2016.

A informação está no 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, divulgado em 2017 pela Previdência Social. 

Outra pesquisa, publicada no mesmo ano, revelou que os programas de saúde emocional estão cada vez mais presentes nas empresas.

De acordo com o estudo, 41% das organizações relataram manter alguma ação neste sentido, como salas de descompressão, massagem e programas de assistência aos funcionários.  

Um exemplo é a Unilever, que oferece apoio psicológico para os funcionários e dependentes. Há mais de dez anos, a empresa mantém um 0800 para prestar atendimento especializado totalmente gratuito e sigiloso a quem precisa.

O serviço funciona 24h por dia, sete dias por semana. Dependendo do caso, a pessoa é encaminhada para o atendimento presencial.

Além disso, a empresa vem flexibilizando a jornada de trabalho. Os funcionários já têm a possibilidade de trabalhar home office e flexibilidade de horários.

E sabe o que é mais interessante? Em 2019 a Unilever começou a testar o job sharing na área de Recursos HumanosO modelo, que já é comum em outros países, funciona assim: dois funcionários dividem entre si o mesmo cargo dentro da empresa.

Enquanto um trabalha às segundas, terças e quartas, por exemplo, o outro pega no batente às terças, quintas e sextas. Ou seja, a carga horária é reduzida e a semana de trabalho tem só três dias! É claro que a remuneração também diminui, mas será que não compensa?! 

Mindfulness nas empresas 

2 Comentários


  1. Parabéns à Marcela Machado e ao “seja leve”!!
    Sempre com informações RELEVANTES, atualizadas e alinhadas às melhores práticas para qualidade de vida, tanto no Brasil quanto fora!!

    Quanto ao livro “Search Inside Yourself”, também recomendo: ótimo guia para uma vida melhor! Simples, prático e bem humorado!!

    Geraldo S. Santos Filho

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    1. Ahhhhhh Gegê, quanta generosidade num comentário só! Te agradeço muito pelo feedback, obrigada mesmo!
      Sobre o livro, bom saber que vc recomenda. Estou pensando em comprá-lo!
      Abração pra vc e Malauzinha!

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